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terça-feira, 28 de julho de 2015

Como Você Vê?

Olhem só! É dia e não madrugada e eu resolvi escrever aqui para passar mais informações sobre o que anda acontecendo na minha vida e no mundo. Claro que como vocês notaram, caros leitores que a existência é tão certa quanto a existência de vida inteligente fora da Terra, eu nunca digo algo que pareça ter sentido certo, mas saibam que eu falo do que vejo. Então hoje eu resolvi falar sobre a chuva e os chovedores. Vou chamar de chovedor a pessoa que está na chuva, mesmo sabendo que ela não está praticando a ação de chover, pois quem chove é a água, ou o ácido, depende muito de onde você mora.
Vi três chovedores:

Chovedor 1 - O Pessimista Sem Graça

Esse chovedor estava na chuva e ficou triste, pois acabou molhando seu guarda-chuvas e não teria onde guardar no restaurante, pois ele estaria encharcado quando chegasse lá. Reclamou aos ventos "Como vocês puderam fazer isso comigo? Que mal fiz a vocês?", depois reclamou as nuvens "Por que minha vida é tão ruim? Tudo de mal acontece comigo!", então reclamou ao seu coração "Eu realmente não tenho valor algum, nem os ventos, nem as nuvens estão ao meu favor, o mundo inteiro se inclina para me torturar."
A tristeza tomou conta do coração deste chovedor, ele não entendia o motivo de tanto sofrimento, mas sabia que estava sofrendo e a qualquer um que perguntasse ele diria que estava sofrendo, pois as coisas iriam piorar cada vez mais com aquela chuva. O chovedor sabia que essa chuva era prenuncio de uma vida horrível que teria dali pra frente.

Chovedor 2 - O Sem Graça

Esse chovedor não viu nada de mal em estar chovendo, ele nem ligava, simplesmente agora teria mesmo que ficar em casa sem nada a fazer e deitado no sofá assistindo ao desenho do Tom e Jerry o dia inteiro, pois ele não teria como fazer absolutamente nada na chuva. Por isso desmarcou seu dentista, desmarcou o almoço com seus amigos, desmarcou sua consulta com o neurologista, afinal ele estava aparentemente bem. Não reclamou, apesar de detestar Tom e Jerry, afinal, como ele mesmo dizia "As vezes a chuva cai e temos que fugir dela, é a vida."
Era um chovedor que acompanhou a chuva apenas da janela de sua casa, vendo a água escorrer pela janela e a imagem da linda cidade em que vivia ao fundo, pena que ele não tinha notado que era Paris. Uns anos depois, ainda fugindo da chuva dentro de casa, o chovedor morreu. Ele havia desmarcado uma consulta com seu neurologista, mas esse não foi o problema maior, ele nunca mais foi no dentista e pegou uma carie que não seria nada demais, se ele não tivesse ficado tanto tempo em casa, pois seu sofá estava cheio de mofo por causa da água que respingava de sua janela toda vez que chovia. O mofo entrou em seu corpo pela sua respiração e o deixou o sistema imunológico fraco, sendo assim não conseguiu lutar contra uma bactéria pequenina no seu dente que virou uma infecção generalizada. A pior parte é que não tinha ninguém no seu enterro, pois perdeu seus amigos pra chuva.

Chovedor 3 - O Cheio de Graça

Esse é um chovedor incomum para os dias de hoje, pois ele saiu na chuva sorrindo, aproveitou para cantar para uma garota a musica tema de seu filme favorito e ainda doou-lhe o guarda-chuva, recebeu um cartão pequeno em troca com uma escrita que ele nem viu o que era e guardou no bolso de sua calça. Deu bom dia para meio mundo e depois parou em um restaurante e entrou, o garçom preocupado dizendo que "está chovendo muito nesse dia para sair sem guarda-chuva" deu uma toalha para ele se secar, o chovedor com muita simpatia apenas disse que "a chuva é boa, pois lava a alma e hidrata a pele" e foi se sentar em seu lugar que já estava reservado, e ficou ali esperando. Quando viu sua amiga entrar acenou para que ela encontrasse onde ele estava sentado, então ele levantou para cumprimenta-la com todo amor que e felicidade que tinha "Olá Irene, vejo que seu guarda-chuva cumpriu bem o trabalho de te manter seca, apesar da garoa fina que está caindo", mas sua amiga não concordou "Está caindo a maior chuva do século, não sei por que isso apenas acontece quando eu saio de casa, aliás, o Gabriel disse que não vem, pois a chuva está muito forte, se eu tivesse ficado em casa como ele não teria chovido e vocês poderiam almoçar, afinal a natureza se põem sempre contra mim". Quando nosso chovedor tirou o papel do bolso, viu que tinha um número de telefone, então sorriu olhando para sua amiga "Conheci o amor da minha vida graças a essa chuva".


Você escolhe o chovedor que você quer ser, você escolhe como vai ver o mundo!

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