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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Livro Um - Começo

O mundo é belo, uma porção de merda servida em um grande restaurante Fast Food.
Essa é a definição que ficava na cabeça. Pura alienação, pois essa ideia não era originaria daquela cabeça. Parecia que existia vida, mas acredita-se que ela estava esmorecendo e deixando de existir. Garanto que não havia sonho, no lugar apenas vozes de fantasmas e lembranças de um outro lugar em outro tempo, de outra família cantando e rindo, sons que agora estavam soterrados em baixo da terra.
A agonia era enorme, nada parecia certo e lutar as vezes era tão entediante. Foi em um dia que uma menina apareceu e começou a conversar, sua voz era serena e parecia esconder uma risada afiada em tudo que ela dizia. "O que fazes aqui?". Foi deste modo que ela começou o assunto. E a conversa foi desenrolando. Logo eu estava contando todas minhas agonias para uma pessoa que parecia me compreender, parecia entender tudo. Ela era uma menina muito bonita, muito simples, parecia irradiar uma luz toda vez que se mexia. Ela me disse que o mundo era muito mal, que eu não deveria passar pelo que eu estava passando. "Você merece mais do que isso, esse mundo não te merece" era desta forma que ela falava, usava frases poéticas "Se eles não se importam com você, não gaste seu tempo com isso, siga em frente!" e assim ela mostrava-se tão sábia, tão inteligente. Percebi que viver era questão de não lutar contra o mundo, me deixar levar por ele, sendo guiado conforme a maré remava. Parecia feliz por algumas vezes.
Mas a luz chamada amor já estava muito fraca em mim.
Um belo dia resolvi dar fim a aquele vazio. Uma pessoinha sábia, tão inteligente, me tinha dito uma forma de me livrar de tudo. E ali estava eu. Suspenso no telhado, pronto para dizer adeus a tudo que eu não conquistei. Parecia simples: pular e ficar livre; não pular e continuar a sofrer.
A escolha foi óbvia.
A sensação era maravilhosa, parecia que tudo começava a se mover em câmera lenta, então tudo que não se via se tornou visível ao passo que o chão se aproximava. Haviam dois cães surrados me esperando bem onde eu deveria cair, um homem muito bem vestido e com cara de velho, mas ainda com muita energia, parecia forte o suficiente para me segurar e evitar minha queda, o que que me assustou, pensei que ele iria me impedir, logo percebi que ele estava esperando que eu chegasse ao final da queda. E ainda tinha aquela menina, que agora não brilhava mais, mas no lugar de brilho existiam dentes pontiagudos e olhos muito vermelhos, seus pés estavam descalçados e cheios de terra, sujos, suas roupas que era tão bem feitas agora estavam com rasgos e remendos. A única coisa que continuava em ordem era seu cabelo muito bem penteado com duas tranças que pareciam não se desmanchar nunca.
E então acabou. O chão chegou, arrebentou minha cabeça e me livrou de toda aquela dor. E eu ainda estava lá pra saber que tudo tinha chegado ao fim.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Livro Um - Despertar

Era uma vez alguém assim como eu, com meu nome, que se vestia como eu me visto e andava como eu ando. Essa é a minha história, a minha suposta história. A minha história em outra vida, em outro tempo, outro lugar, outra dimensão. Recomendo aos que não podem crer na existência daquilo que é descrito aqui, não leiam, e aos de pouca fé, parem por aqui, aos que estão com espirito fraco, não tenham nem a mínima curiosidade de saber sobre esta história, pois ela não é uma boa história. Espero que esse alerta sirva, pois eu não me responsabilizo pela verdade da forma que você vai encarar ao ler este conteúdo e não prometo finais, muito menos finais felizes.
Tudo começa com um garoto, um garoto que não sei ao certo a idade, mas é um garoto pequeno, talvez esteja na terceira série do ensino fundamental, talvez esteja entrando na primeira série. O tempo não existe em sua consciência, a hora simplesmente passa, mas não existe para ele. Ele era um garoto comum, um garoto sorridente, um garoto extrovertido e que adorava brincar. A felicidade era sua amiga, sua melhor amiga. O mundo era seu parque de diversões, o melhor parque. Mas o mundo não gostava desse garoto, ele tinha grandes planos pra ele. Grandes planos para desgraçar com toda a vida dele, para acabar com toda sua alegria.
O mundo é muito ardiloso! Ele apresentou o melhor de todos os presentes a esse menino, ele abriu seus olhos. Ele deu ao garoto o dom de ver aquilo que não se vê. E é assim que começa. É assim que começa o questionamento, o tentar entender daquilo que não se entende. Logo se vê que o mundo não é um parque de diversão, logo ele não sorri mais nas fotos. Logo ele vê seus pais brigarem, logo ele não sente mais amor em sua casa. Logo ele vê pessoas morrerem, logo ele tem pesadelos com os vivos. E tudo vai acontecendo assim, logo, logo, um atrás do outro para o caminho mais tortuoso que existe na vida.
A esperança começa a ficar fraca, o amor começa a lutar desesperadamente como pode. A fé quer existir.
O mundo é ardiloso! Ele dá mais um presente a este garoto. Agora o garoto vê ainda mais além, ele vê o caminho que a morte faz antes que ela venha, ele vê a destruição que irá chegar antes que desmorone. Mas o garoto é novo demais para entender. E o mundo nem liga, ele só precisa esperar. Em um dia a morte chega, a destruição destrói e esse garoto entende, ele vê que tudo tem fim, que tudo acaba, nada é eterno. Assim o mundo ensina mais uma lição valiosa a esse garoto. Ensina que tudo morre, tudo é destruído.
A esperança se vai, morre como se nunca tivesse existido. Sem vestígios.
Colocaria um marco para tudo isso, talvez quando eu cai, bati a cabeça naquela prateleira de vidro que caiu sobre mim. Talvez eu simplesmente acordei assim um dia. Nunca saberei.
Mas foi assim que o mundo me martelou, me pregou, me matou. Foi assim que aprendi, conheci e desde então tenho vivido acordado vendo pessoas dormindo. O Sofrimento foi grande, mas foi aliviado um dia um grande e interminável bloco de cimento. Agora é hora de despertar a sua mente!