O mundo é belo, uma porção de merda servida em um grande restaurante Fast Food.
Essa é a definição que ficava na cabeça. Pura alienação, pois essa ideia não era originaria daquela cabeça. Parecia que existia vida, mas acredita-se que ela estava esmorecendo e deixando de existir. Garanto que não havia sonho, no lugar apenas vozes de fantasmas e lembranças de um outro lugar em outro tempo, de outra família cantando e rindo, sons que agora estavam soterrados em baixo da terra.
A agonia era enorme, nada parecia certo e lutar as vezes era tão entediante. Foi em um dia que uma menina apareceu e começou a conversar, sua voz era serena e parecia esconder uma risada afiada em tudo que ela dizia. "O que fazes aqui?". Foi deste modo que ela começou o assunto. E a conversa foi desenrolando. Logo eu estava contando todas minhas agonias para uma pessoa que parecia me compreender, parecia entender tudo. Ela era uma menina muito bonita, muito simples, parecia irradiar uma luz toda vez que se mexia. Ela me disse que o mundo era muito mal, que eu não deveria passar pelo que eu estava passando. "Você merece mais do que isso, esse mundo não te merece" era desta forma que ela falava, usava frases poéticas "Se eles não se importam com você, não gaste seu tempo com isso, siga em frente!" e assim ela mostrava-se tão sábia, tão inteligente. Percebi que viver era questão de não lutar contra o mundo, me deixar levar por ele, sendo guiado conforme a maré remava. Parecia feliz por algumas vezes.
Mas a luz chamada amor já estava muito fraca em mim.
Um belo dia resolvi dar fim a aquele vazio. Uma pessoinha sábia, tão inteligente, me tinha dito uma forma de me livrar de tudo. E ali estava eu. Suspenso no telhado, pronto para dizer adeus a tudo que eu não conquistei. Parecia simples: pular e ficar livre; não pular e continuar a sofrer.
A escolha foi óbvia.
A sensação era maravilhosa, parecia que tudo começava a se mover em câmera lenta, então tudo que não se via se tornou visível ao passo que o chão se aproximava. Haviam dois cães surrados me esperando bem onde eu deveria cair, um homem muito bem vestido e com cara de velho, mas ainda com muita energia, parecia forte o suficiente para me segurar e evitar minha queda, o que que me assustou, pensei que ele iria me impedir, logo percebi que ele estava esperando que eu chegasse ao final da queda. E ainda tinha aquela menina, que agora não brilhava mais, mas no lugar de brilho existiam dentes pontiagudos e olhos muito vermelhos, seus pés estavam descalçados e cheios de terra, sujos, suas roupas que era tão bem feitas agora estavam com rasgos e remendos. A única coisa que continuava em ordem era seu cabelo muito bem penteado com duas tranças que pareciam não se desmanchar nunca.
E então acabou. O chão chegou, arrebentou minha cabeça e me livrou de toda aquela dor. E eu ainda estava lá pra saber que tudo tinha chegado ao fim.
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