Era uma vez alguém assim como eu, com meu nome, que se vestia como eu me visto e andava como eu ando. Essa é a minha história, a minha suposta história. A minha história em outra vida, em outro tempo, outro lugar, outra dimensão. Recomendo aos que não podem crer na existência daquilo que é descrito aqui, não leiam, e aos de pouca fé, parem por aqui, aos que estão com espirito fraco, não tenham nem a mínima curiosidade de saber sobre esta história, pois ela não é uma boa história. Espero que esse alerta sirva, pois eu não me responsabilizo pela verdade da forma que você vai encarar ao ler este conteúdo e não prometo finais, muito menos finais felizes.
Tudo começa com um garoto, um garoto que não sei ao certo a idade, mas é um garoto pequeno, talvez esteja na terceira série do ensino fundamental, talvez esteja entrando na primeira série. O tempo não existe em sua consciência, a hora simplesmente passa, mas não existe para ele. Ele era um garoto comum, um garoto sorridente, um garoto extrovertido e que adorava brincar. A felicidade era sua amiga, sua melhor amiga. O mundo era seu parque de diversões, o melhor parque. Mas o mundo não gostava desse garoto, ele tinha grandes planos pra ele. Grandes planos para desgraçar com toda a vida dele, para acabar com toda sua alegria.
O mundo é muito ardiloso! Ele apresentou o melhor de todos os presentes a esse menino, ele abriu seus olhos. Ele deu ao garoto o dom de ver aquilo que não se vê. E é assim que começa. É assim que começa o questionamento, o tentar entender daquilo que não se entende. Logo se vê que o mundo não é um parque de diversão, logo ele não sorri mais nas fotos. Logo ele vê seus pais brigarem, logo ele não sente mais amor em sua casa. Logo ele vê pessoas morrerem, logo ele tem pesadelos com os vivos. E tudo vai acontecendo assim, logo, logo, um atrás do outro para o caminho mais tortuoso que existe na vida.
A esperança começa a ficar fraca, o amor começa a lutar desesperadamente como pode. A fé quer existir.
O mundo é ardiloso! Ele dá mais um presente a este garoto. Agora o garoto vê ainda mais além, ele vê o caminho que a morte faz antes que ela venha, ele vê a destruição que irá chegar antes que desmorone. Mas o garoto é novo demais para entender. E o mundo nem liga, ele só precisa esperar. Em um dia a morte chega, a destruição destrói e esse garoto entende, ele vê que tudo tem fim, que tudo acaba, nada é eterno. Assim o mundo ensina mais uma lição valiosa a esse garoto. Ensina que tudo morre, tudo é destruído.
A esperança se vai, morre como se nunca tivesse existido. Sem vestígios.
Colocaria um marco para tudo isso, talvez quando eu cai, bati a cabeça naquela prateleira de vidro que caiu sobre mim. Talvez eu simplesmente acordei assim um dia. Nunca saberei.
Mas foi assim que o mundo me martelou, me pregou, me matou. Foi assim que aprendi, conheci e desde então tenho vivido acordado vendo pessoas dormindo. O Sofrimento foi grande, mas foi aliviado um dia um grande e interminável bloco de cimento. Agora é hora de despertar a sua mente!
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